Experiencia, São Paulo

São Paulo – Bar hopping em Pinheiros e Vila Madalena


Image disclosure –

Nenhuma foto que tirei no dia ficou boa, nem mesmo a dos cocktails. Então vai uma minha depois de alguns drinks pra ilustrar o post.

Com vergonha amor,

Mafer.


Como eu falei nesse post aqui, existem algumas ferramentas online que podem ajudar a fazer amigos offline. Coisa que aprendi na prática pelas 5 cidades em 3 paises diferentes por onde morei nos últimos 6 anos. Uma delas, que eu apenas citei mas não fiz propaganda sobre, por não ser meu tipo de programa, é o pub crawling. Pub crawling é encontrado em várias cidades pelo mundo, geralmente nas mais turísticas ou cidades grandes, e ele reune uma quantidade X de desconhecidos que pagam uma tarifa fixa pra pular de bar em bar bebendo shots em determinada região. Normalmente, por eles terem vários bares parceiros, acaba saindo barato beber com o pub crawl e no terceiro shot imagino que voce já tenha feito amizades sinceras com todo mundo.

Mas eu sou dessas que prefere o bar hopping, que em tese não tem muita diferença do pub crawling já que os dois são sinonimos no dicionário e enquanto um pula o outro engatinha (piadinha infame), mas prefiro fazer isso sozinha ou entre poucos amigos, do que com muita gente e com horário pra chegar e pra sair de cada bar. Por isso, voce já viu um post no blog com um guia de bar hopping em South Beach, Miami, e agora eu vou começar uma série de guias de bar hopping em São Paulo, já que beber cocktails bem feitos por aí é uma das minhas modalidades atleticas preferidas.

Pra começar, vamos falar sobre o circuito Pinheiros-Vila Madalena. Gosto quando dá pra fazer a pé, porque nessas de andar por aí sem compromissos de horário, a gente acaba descobrindo mais lugares pra colocar na lista. Sei que alguns acabaram ficando de fora, mas ainda não consegui conhecer todos. Sugestão – começar cedo. Cocktail bar costumam fechar mais cedo do que estamos acostumados para um sábado a noite, e alguns deles são pequenos e com espaço limitado.

Patrocínios de drinks e bolovos serão aceitos para os próximos.

Espero que gostem.

Bar Hopping em Pinheiros e Vila Madalena: Em busca dos cocktails perfeitos.

Sabado passado eu sai numa sessão de bar hopping com tres amigas. A lista foi criada com base em bares famosos por seus mixologistas que fazem verdadeiro artesanato, seja nos drinks autorais ou tradicionais. Os artigos que li pra decidir os bares foram muitos, mas em especial esse artigo do SP 24 hrs sobre Onde os Bartenders Bebem, já que poucas coisas me encantam mais do que sentar no balcão, absorver conhecimento sobre drinks, e perguntar aonde voce bebe quando não está trabalhando? Das tres amigas duas desistiram no segundo bar, uma ficou ate o fim, e dos cinco bares deu tempo de passar em tres, mas os outros dois eu já frequentei mais vezes do que o considerado saudável. Por isso vamos falar de todos os cinco do roteiro e, pra todo mundo conseguir se situar, vamos olhar o mapa junto com o roteiro por ordem de visita:

  1. Oak Bar – Rua Francisco Leitão, 272, Pinheiros (em cima do Cateto)
  2. Boca de Ouro – Rua Cônego Eugênio Leite, 1121, Pinheiros
  3. Guilhotina – Rua Costa Carvalho, 84, Baixo Pinheiros
  4. Front – Rua Purpurina, 199, Vila Madalena
  5. SubAstor – Rua Delfina, 163, Vila Madalena

Nota – todos os bares listados são dignos de ir sozinho(a), sentar no balcão e falar non-stop com os mixologistas. Então chega de resmungar que vai ficar em casa porque não tem ninguém pra sair com voce. Lembra que é na vulnerabilidade que experiencias incríveis acontecem, assim como extremamente bem colocado pela maravilhosa Re nesse post aqui.

1. Oak Bar

 

Na verdade, nós começamos pelo Boca de Ouro, mas agora que joguei no mapa vi que começar pelo Oak faz mais sentido. O Oak fica na Rua Francisco Leitão, em cima do restaurante Cateto e bem na frente do Lilu, o recém inaugurado restaurante do André Mifano de “comida para partilhar”.  O Oak tambem foi recentemente inaugurado, apesar do Cateto já existir há um tempo, e os cocktails são delicadamente preparados pela Neila, que não se incomoda em responder a todas as minhas curiosas e insistentes perguntas sobre mixologia com seu gentil sotaque de Fortaleza. A carta de coquetéis tem 42 opções e o bar conta com um cardápio reduzido do Cateto, mas sobre as comidas não posso falar muito já que estava focada na missão beber. Ainda que eu tenha um paladar nada desenvolvido e um tanto infantil, poucas pessoas discordariam de mim ao dizer que o Rabo de Galo é sensacional. Posso dizer, também, que o Aperitiff (um tanto amargo) e o Mint Julep (que tem pó de cacau que são lamentavemente apenas decorativos) são igualmente deliciosos.

 

2. Boca de Ouro

Não só um excelente bar de cocktail, como uma referencia em Bolovo, o Boca de Ouro traz aquela sensação de estar entrando em um pequeno segredo de Pinheiros. Mas pra quem gosta de caçar bons coquetéis, ele não é nenhum segredo, e talvez por isso seja uma boa idéia chegar cedo para pegar um dos poucos banquinhos no balcão. O mixologista é um dos sócios do bar, Arnaldo Hirai, que criou a carta de cocktails e teve a brilhante idéia de fazer um Mark Twain, meu primeiro flerte da noite de ontem, que leva Bourbon, limão siciliano e Angostura, e custa $27. Da próxima vez eu vou pra experimentar o famoso Bolovo que eu mal comi e já considero pacas.

3. Guilhotina

Por motivos de: tava de salto, acabamos pegando um Uber do Oak para o Guilhotina, mas segundo o google maps leva uns 25 minutos pra chegar lá a pé. Em nível de ambiente, o Guilhotina é mais descontraído que os outros, no sentido de não precisar sentar no balcão se não quiser, ter cara de barzinho onde as pessoas fazem aniversários, e fila pra ir ao banheiro. Claro que independente disso eu sentei no balcão pra continuar sugando conhecimentos em mixologia. Tivemos a sorte de sermos servidas pelo próprio Marcio Silva, nome por trás da criação do bar e da carta, que acabou compartilhando muito da história do bar com a gente. O Márcio foi o primeiro titular do SubAstor, o próximo bar da nossa lista, e aprendeu muito do que sabe em uma longa carreira no exterior. Segundo o próprio, que contava a história enquanto preparava meu Classy as F**k (sim, esse era o nome do meu drink a base de Gin, Single Malt, gengibre, limão, demerara e especiarias), quando voltou ao Brasil o pai dele sugeriu que ele abrisse um bar, e nessa nasceu o Guilhotina. Quando eu disse que os drinks pareciam ser mais fortes do que o comum, ele explicou que a gente tende a confundir intensidade de aroma com teor alcoolico, e quando ele criou a carta de cocktail ele queria trazer isso para exaltar a natureza da intensidade que o brasileiro tem. Além disso, ele pode te contar a história por trás do nome do bar e a intenção dele ao criar a atmosfera do lugar. Eu contaria, mas nessa altura eu já tinha terminado o quarto cocktail e dois shots que me foram oferecidos e não consigo lembrar toda a idéia por trás do nome. Recomendo colocar o Guilhotina no seu roteiro e chegar cedo, porque voce com certeza vai querer tomar mais de um dos cocktails com nomes um tanto curiosos (veja a carta completa aqui) e vai querer fazer isso antes do bar fechar, a 1h manhã.

4. SubAstor

O SubAstor tem cara de segredo, já que pra chegar lá precisa entrar no Astor, descer as escadas em direção ao banheiro, e atravessar as cortinas de veludo do lado direito, mas de todos os bares era o mais conhecido entre todos com quem euc onversava. O clima do SubAstor é um pouco mais…. sensual (?). E talvez voce queira deixar ele por último na lista, caso pretenda seguir todos os 5 bares, já que é o que fecha mais tarde (as 3 da manhã no sábado). Sentado no balcão que vai de ponta a ponta do bar, voce pode escolher entre os drinks tradicionais, os da moda, e os cocktails autorais que mudam constantemente. Hoje, com a carta nas mãos do italiano Fabio La Pietra, voce encontra combinações simples de rum e frutas tropicais, entre outras coisas.

5. FFFront

Apesar do que muitas pessoas acham, as luzinhas pendantes que iluminam a fachada do Fffront na rua Purpurina (mais precisamente na frente do Dia Supermercado) não fazem parte do Hostel que fica ao lado, pelo contrário. De todos os bares, o Fffront é o que menos consegui encontrar informação online, além da página do facebook do bar. Quem sabe a idéia não é, justamente, continuar “desconhecido” e íntimo pra quem já é de casa? Certamente o tamanho do bar daria a entender isso. Gosto do Fffront (não sei se preciso continuar repetindo os 3 Fs, mas já que eles se chamam assim, acho que vou) não só porque ele é na esquina de casa, mas também porque eles fazem um Moscow Mule delicioso e ocasionalmente recebem Djs convidados e comidinhas diferentes pra vender. A sensação de estar dentro do Fffront é de ter ido na casa de alguém que voce não conhece direito mas que é amigo de um amigo seu, já que todas as outras pessoas parecem se conhecer. Até agora, na verdade, tenho a sensação de que de fato deve ser a casa de alguém que sempre faz vista grossa pro fato de eu não ter sido convidada.


Conclusão

Poucas conclusões podem ser tiradas ao fim de um bar hopping sesh além de como eu adoro sair beber de bar em bar falando com qualquer pessoa. Sei que ainda faltam alguns bares pra esse roteiro específico, como talvez o bar do Tuju e o Biri Nait, mas ainda não tive a chance de conhecer. Aos poucos essa lista vai aumentando e quando eu menos esperar vou ter um roteiro de uma semana de non stop drinking, e isso só falando de Pinheiros e Vila Madalena. Se voce gostou desse post e acha que tem algum bar que faltou, diz pra mim, porque oportunidades pra conhecer mais um não me faltam.


 

 

 

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