Dirty 30

Dirty 30: Dois anos pra amadurecer doze

Há dois anos de fazer trinta meu terapeuta disse que eu tenho a maturidade de 16 anos. Decidi usar esse blog um tanto impopular para documentar minha tentativa de me fazer trinta quanto eu, de fato, fizer 30 anos.

Entenda –

Gostaria de poder começar a explicar esse conceito com tudo começou quando… mas não é essa a graça da vida – não saber porque nós fazemos o que fazemos, mesmo não gostando de fazer ou não sabendo o que estamos fazendo? Então vou começar a explicação em quando eu sai do Brasil, em 2010. Eu tinha 21 anos e nenhuma idéia do que fazer da vida, estava me formando na faculdade e minha melhor amiga ia voltar a morar na Austrália e me perguntou se eu queria ir junto. Sure, why not?! E Aparentemente foi essa a primeira vez que eu consigo me lembrar de ter fugido dos meus problemas, já que segundo meu terapeuta eu tive que fazer o que fiz para poder sobreviver emocionalmente a situação que eu estava vivendo. Eu gosto dessa frase. Faz eu me sentir menos culpada por ter indo embora do Brasil em meio a um turbilhão de bagunças que aconteceram na minha família.

Cheguei na Austrália e foi maravilhoso, como deve ser quando voce mora em um país onde as pessoas são mais sensuais do que o considerado normal; onde o sol brilha quase todos os dias; onde abacates são encontrados nas saladas; onde tudo que voce fala é considerado sexy só por causa do sotaque, mesmo que a frase seja tão simples quanto Im hungover; onde comida Vietnamita pode ser encontrada em qualquer lugar; onde pessoas falam com estranhos só por falar; onde a cerveja não precisa ser tão gelada porque ela de fato tem um gosto bom; onde a Tailandia fica a $800 dolares de distancia e voce consegue pagar mesmo trabalhando como meio-período qualquer coisa em uma loja de cosméticos.

A Austrália ofereceu tudo isso e muito mais, mas indo direto ao ponto – me deu o lifestyle e a sensação de liberdade e de segurança que eu não consigo encontrar no Brasil. Mas sobre esse assunto tem um milhão de outras pessoas que escrevem bem melhor que eu postando por aí. Não acho que minha opinião seja muito diferente da deles.

Como normalmente acontece, eu planejei ficar um ano na Austrália e depois voltar pro meu amado país e começar a levar a vida a sério, mas acabei ficando quatro e ainda estou tentando entender o que é levar a vida a sério. Foi aí que eu conheci o Andrew.

Andrew não foi o grande amor da minha vida que casou comigo e me deu o passaporte Australiano pra que a gente pudesse ficar lá com nossos bebes loiros de olhos azuis com seus bumbuns sunkissed. Pelo contrário. Andrew era um wannabe empreendedor com uma boa idéia e dinheiro o suficiente para investir na própria startup nas indústrias de moda e beleza, que foi a empresa responsável por me trazer de volta ao Brasil. Na verdade eu voltei quando eu estava quase conseguindo tirar o meu visto de residente permanente, e eu ainda estou aqui. Essa deve ter sido a segunda vez que eu fugi dos meus problemas, que eu ainda estou tentando entender quais eram, já que problemas e Austrália não costumam fazer parte da mesma frase.

Junho de 2014, quatro dias antes da copa do mundo começar no Brasil e eu chego em Curitiba com um jetlag horrível e o sentimento inevitável de ter feito uma péssima escolha. Já que, aparentemente, eu também gosto de fugir dos meus pensamentos de arrependimento, eu decidi não pensar neles e fazer o que eu precisava pra passar disso – trabalhei mais do que nos últimos quatro anos. Mas quatro meses e muitas milhas depois de trabalhar tanto, eu precisei fechar a empresa. Não porque ela não estava funcionando bem, a idéia na verdade era muito boa e bem recebida por muitos com quem nos reunimos, incluindo clientes e investidores potenciais, mas porque eu percebi que não se faz negócios com uma pessoa do outro lado do mundo cuja única motivação seja gerar lucros rápidos. E essa deve ter sido a terceira vez que eu fugi de um enorme obstáculo ao invés de pular. Mas sem arrependimentos por enquanto.

Então depois de completar a minha primeira maratona de tanto correr das coisas (Brasil, Austrália e uma startup) eu decidi insistir em uma coisa, que foi tentar ficar no meu país, perto da minha família que fazia mais falta do que eu achava. Mas não foi tão fácil ficar em Curitiba, o que me levou pra meu próximo quilometro corrido – eu mudei de cidade. De novo.

Faz pouco mais de dois anos que estou em São Paulo, com um gap de tres meses que passei a trabalho nos Estados Unidos e tentando segurar essa barra que chamamos de vida e superar o que eu gosto de chamar de minha última etapa para vencer a síndrome do regresso, que é quando alguém volta de um país de primeiro mundo (a gente ainda fala isso?) para o nosso país ever-developing. Risos. E junto com um surto público que postei no facebook ano passado, será que faço um MBA, um curso de jóias ou encontro um terapeuta, eu decidi que a última opção seria mais barata e óbviamente a mais lógica, o que nos leva de volta a primeira frase desse post, e ao objetivo de escrever tudo isso mesmo quando não tem ninguém lendo – Eu tenho dois anos para ir de uma maturidade de 16 anos para de 30. God bless my soul.

A primeira sessão de terapia —

Vinte, eu repito, vinte minutos depois de fazer minha coisa preferida – falar sobre mim mesma, já foi o suficiente para o F. traçar um perfil da minha personalidade, mecanismos de defesas e hábitos. Isso se extendeu para uma sessão de luta livre de duas horas, em que ele não cansava de me bater, me derrubar no chão e me esperar levantar só pra me bater de novo. Eu era a Ronda e ele a Amanda e nossos 48 segundos duraram uma hora e dez a mais do que a sessão deveria durar. Mas valeu cada centavo, e cada hematoma.

Além de dizer que eu tenho o hábito de fugir dos meus problemas (o que eu sei não ser exclusivo meu, mas ainda assim machuca) ele também disse que o único pilar que eu tenho em pé na minha vida hoje é o meu trabalho, que é onde eu brinco de ser adulta até voltar pra minha vida infantil. Por isso resolvi tomar o longo e doloroso caminho de fazer 30 anos no dia do meu aniversário de 30 anos. Tenho uns quinhentos e noventa e tres dias pra isso e uns doze anos pra colocar em dia. Otimismo não define.

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