Experiencia, Festival

Festival – Meu Primeiro MECA

Mais ou menos nessa época do ano, ano passado, o instagram estava fazendo comigo o que ele veio ao mundo pra fazer – me corroer em inveja. Não inveja ruim, como se eu quisesse que acabasse a voz do Caetano antes do show dele no Meca do ano passado em Inhotim, mas aquela raivinha de não ter me programado pra ir no festival. Uma raivinha honesta e interna, sem causar mal a ninguém.

Esse ano eu fui. E valeu cada centavo gasto, cada milha dirigida na estrada de terra de madrugada, cada tremer de queixo de frio, cada minuto investido na fila do banheiro, cada real que entrava mais fundo no cheque especial.

Pra quem ainda não conhece, o MECA é auto-intitulado de maior menor festival do mundo, e o charme já começa por aí. Nas palavras dele (do festival), o Meca é

Um festival de música com bandas internacionais e nacionais, instalações artísticas e multi sensoriais. Sempre em locais especiais, com um público lindo e uma energia incrível. Uma experiência única e inesquecível em diversas cidades do Brasil.

Aqui no site do MECA, que hoje é toda uma plataforma multicultural que começou a partir do festival, eles tem vídeos de todas as edições anteriores que começam há sete anos e tem festivais espalhados pelo Rio Grande do Sul, lugar onde nasceu, São Paulo, Rio de Janeiro e, claro, Inhotim. Quando chegou em Inhotim, o festival agregou vária palestras, workshops e atividades para o portfolio do evento, todas relacionadas a comunicação, design ou bem-estar. Já vi em alguns lugares o MECA sendo referenciado como o SXSW brasileiro. Seja o que for, só espero que ele continue assim – pequeno, educado, interessante e com uma energia deliciosa e viciante.

Sobre o festival e a história do MECA, voce encontra vários sites falando. Inclusive cheguei a pedir um release pra eles mas não tive resposta, possivelmente porque esse blog não tem leitores além da minha mãe, e o acesso só passa de 6 usuários por dia quando aviso pra ela que escrevi post novo. Então deixo pra voces pesquisarem por lá. Vou aproveitar, então, pra falar um pouco da minha experiencia e dicas já que antes de ir eu procurei isso por aí e não encontrei…

Eu, tapando a vista de Inhotim ao fundo, aonde fica a instalação de 500 esferas de aço sobre água que criam um tapete cinético, de Yayoi Kusama.

Ingresso

Agarrei toda minha espontaneidade e comprei o Early Bird. Se voce ja sabe, ou pelo menos acha, que vai no MECA recomendo não perder essa oportunidade no ano que vem. Com tres clicks comprei dois passaportes para os 3 dias por $150 cada. Depois do Early Bird os lotes começam em bem mais que isso, e cada noite chega a custar perto do preço que eu paguei pelas tres.

Workshop intitulado O Outro Lado do Chocolate ministrado por AMMA Chocolates

Acomodação

Bom, fui eu mais Caio, porque eu posso não ter leitores ou amigos mas pelo menos tenho um namorado não-fictício, então procurei acomodação pra dois mesmo. Lá no festival eles oferecem um camping com várias opções de acomodações e preços, algumas tendas maiores que meu apartamentinho de 40 metros quadrados, então pouco me supreende que custa pouco mais de 700 reais pra se hospedar pelos tres dias. Daí o preço vai caindo até chegar a uns 300 reais, que é o preço para acampar com a própria barraca, ou seja, só o aluguel do espaço e infra-estrutura do camping. Conversando com pessoas que estiveram nesse camping no ano passado, o medo de ficar lá é que chova (como aconteceu em 2016), e por isso e pelo preço resolvi alugar uma suíte em outro lugar.

O problema foi que eu digitei Brumadinho no Trivago e acreditei no anúncio que dizia que da minha acomodação levava só vinte minutinhos até Inhotim. A verdade é que Brumadinho é uma região grande, e de um bairro para o outro as estradas são de chão e cheia de curvas, então dependendo aonde voce fica o caminho pode ser bem longo. Além das razões óbvias de porque é bom ficar perto do festival, digo que vão ter horas que voce vai querer voltar pra casa tomar um banho quentinho antes de voltar pro festival. Ou voce pode namorar um Caio que de jeito nenhum vai querer estar em Inhotim as 7h pra fazer aulão de Yoga seguido de meditação, então voce pode ir rapidinho e depois voltar pra buscar. No caso, eu levava de 40 a 60 minutos dirigindo em uma estrada, que vezes fazia a gente parar pra desviar de um cavalo, até chegar no parque. Então eu perdi todas as atividades que começavam antes do meio-dia, que eram justamente as que estavam com o marca texto no meu programinha. Então sejam mais espertos que eu e coloquem mesmo no google maps a distancia de carro da pousada até Inhotim antes de reservar. Recomendo garantir que eles tenham cobertores bem quentinhos. Fica aqui um mapa da cidade de Brumadinho e a localização de Inhotim, e um com os bairros próximos ao parque.

 

Chegando lá

Pra chegar em Inhotim voce vai pegar um voo pra BH e alugar um carro pelos próximos tres dias. Tanto um quanto o outro é melhor reservar online e com antecedencia, já que alugar o carro na hora sai muito mais caro. Eu procurei o carro pelo comparador de preços do Booking mas entrando no site da Avis encontrei carros menores e mais baratos. Gastamos cerca de $330 pra tres diárias (pegamos na sexta e devolvemos na segunda fim de tarde) em um carro compacto e popular, manual, com ar condicionado, e incluindo seguro de pneus. O caminho pra Inhotim é lindo e sobe uma montanha cheia de curvas com uma vista incrível do alto, inclusive um lugarzinho chamado O Topo do Mundo. Talvez voce queira dirigir devagar na estrada e parar de vez em quando pra tirar umas fotos.

Vista do alto da estrada no caminho pra Inhotim

No festival

Peguei um jornalzinho do MECA, um marca texto amarelo, toda minha virginianisse e marquei todos os programas e shows que eu queria participar. Alguns se repetiam no sabado e no domingo, então deu pra acomodar todos. Mas, claro, perdi a maioria por motivos de Caio dorme muito. Além disso, voce não vai querer ficar seguindo horários lá com tanta coisa acontecendo e ainda todas as exposições e o parque pra conhecer. É possível ter uma amostra de uma idéia bem pequenininha do que é a energia do MECA vendo alguns dos nomes e atividades no programa… Mas voce tambem pode ir em um dos Mini Mecas que acontecem na sede do MECA na Arthur de Azevedo (São Paulo) no segundo sábado de cada mes (link aqui).

 

 

 

 

 

Comendo e Bebendo

Ao contrário do que eu achava, uma vez no festival voce não é obrigado a só comer e beber o que eles vendem lá dentro. Já que o parque está aberto durante o dia, o que dá acesso ao público, é possível almoçar e tomar café nos restaurantes e lanchonetes de Inhotim. O que significa que voce não vai passar tres dias comendo e bebendo coisas caras de festivais (sim, as coisas no festival são caras com preços de São Paulo, e não de Minas). Então voce encontra variedade de vinhos, pratos e cafés na maior parte do dia. A noite também é possível jantar no restaurante do festival que fica no pavilhão do palco principal. Eles tem um buffet delicioso por kilo, com uma variedade grande de tipos de pratos, e é possível comer bem com uns 35 reais. As lanchonetes do festival também são uma delícia, lembro de ter tido um affair com um frango frito lá pelas tantas da madrugada, mas as filas são inevitáveis, vezes se confundindo com a de um banheiro feminino. Quanto ao Gin Tonica, esse custava 30 reais e é tudo que eu lembro.

Pós-gin

Inhotim

Por fim, mas não menos importante, vamos falar de Inhotim que é, sim, toda a beleza que dizem ser. Inhotim é o maior museu a céu aberto da America Latina e um dos acervos mais importantes de arte contemporanea. Segundo o próprio site do Inhotim,

O Instituto Inhotim abriga um complexo museológico com uma série de pavilhões e galerias com obras de arte e esculturas expostas ao ar livre.

E vou te falar que o lugar é tão grande que voce vai sair do festival querendo marcar uma volta só pra conhecer o parque. Para apreciar as obras e instalações, entre elas milhões de Hélio Oiticica e Cildo Meireles, e conhecer mesmo todo o complexo é preciso, ao menos, uns dois dias dedicados a isso e possivelmente uma visita guiada. Se voce preferir ser mais autonomo, dá pra usar o aplicativo de Inhotim que explica sobre as obras e da o caminho pra chegar até elas.

A história que vou contar agora eu não sei se é verdade, mas gosto de acreditar que sim porque ela é muito fofa. Mas a crença é de que o nome Inhotim veio de uma adaptação da forma de chamar o Mr. Timothy, ingles que ocupava a terra antes de virar o parque cultural. Sendo no interior de Minas, Mr. Tim era chamado de Nho Tim. I-nho-tim. <3

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