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Viagem – Sobre sair sozinha

Fazer coisas sozinha, eu admito, pode ser um pouco assustador. Sair sozinha? Talvez até mais. A ideia de ir em algum lugar, principalmente a noite, e sem a proteção e a companhia aconchegante dos seus amigos e suas piadas internas, ou pelo menos da sua mãe, é o suficiente pra fazer voce querer ficar em casa revendo Friends do episódio zero. Principalmente se voce tem um cachorro ou uma garrafa de vinho.

Mas um dia voce se da conta que mora em outro país e além dos israelenses do trabalho que insistem em falar hebraico ingorando por completo o seu pequeno vocabulário da língua que só inclui duas frases não muito gentis, a única outra pessoa que voce conhece é o filho de uma amiga da sua mãe, que ela também não conhece, mas voces trocaram facebook pra ela ter a sensação de que voce não esta sozinha nesse país. Como ainda não tinham criado o Tinder pra amigos, e mesmo se criassem não sei se teria coragem de usar, e na época eu não conhecia todos esses aplicativos para fazer amigos na vida real, me vi obrigada a me forçar, sozinha, pra fora de casa. E foi e continua sendo uma experiencia maravilhosa.

Eu diria que nos meus vinte e um anos, quando eu estava morando na Australia e descobrindo o mundo maravilhoso da “auto-suficiencia”, eu estava longe de ter a confiança e segurança que eu tenho hoje. E olha que hoje estou longe de ser um poço de confiança e segurança. Mas eu já tinha aderido ao hábito de fazer coisas sozinha, caso ninguém quisesse fazer comigo, como ir ao cinema ou sair jantar. O que eu precisei fazer, apenas, era fazer tudo isso em outro país, falando outra língua, sem whatsapp ou instagram pra me fingir de ocupada, e sem saber o caminho de casa de cabeça.

E isso precisou ser repetido em 5 cidades diferentes ao longo dos últimos 5 anos. Eu tive que me forçar a conhecer pessoas, e as vezes forçar as pessoas a me conhecerem (não recomendo). Muitas vezes de um jeito um pouco invasivo, e por isso eu não me surpreenderia em descobrir que eu assustei algumas pelo caminho, talvez por ter mandado mais mensagens seguidas do que o considerado educado, e provavelmente algumas vezes por ter adquirido intimidade rápido demais, seguida de “I’m sorry, brazilians are huggers” ou, mais do que uma vez, “sorry, i like to sniff at people’s hair”.

Quando voce sai sozinha, coisas maravilhosas acontecem. E eu nem estou falando da quantidade de taças de vinho que voce ganha porque o garçom ficou com dó quando chegou a conclusão que voce levou um bolo, ou da sobremesa cortesia que voce ganha da hostess que perguntou “mesa pra dois?” e percebeu que voce esta sozinha, ou por pular os 40 minutos de espera pra sentar porque ela finalmente entendeu que voce veio sozinha por opção. Eu to falando de toda aquela parte de se sentir, sim, autosuficiente, de se reconectar consigo mesma, de sentar no cantinho e praticar people watching enquanto percebe, pela linguagem corporal de todos que estão no bar, ou no restaurante, ou na balada, que no fundo todo mundo carrega suas inseguranças e todo mundo quer, grande parte do tempo, criar conexão de verdade. E a partir disso reconhecer as suas prórpias inseguranças, e as suas próprias necessidades.

Mesmo estando há dois anos em São Paulo, em um momento em que as pessoas já se atraíram, os grupinhos já se formaram, eu já fui apresentada para amigos de amigos que hoje são meus amigos, e eu tenho não só um cachorro, uma garrafa (ou mais) de vinho, e várias séries no netflix, mas também um namorado com a própria vida social, sair sozinha representa pra mim um momento de auto conhecimento, de renovação de energias e de exploração do novo. Porque sempre vai ter muita coisa nova, seja interna ou externa, que precisam ser exploradas e celebradas. Ou voce pode pegar todo esse último parágrafo e resumir com uma frase muito mais fácil de decorar – coisas mágicas acontecem fora da zona de conforto. Indeed.

Confiança – Acho que podemos concordar que o maior impedimento, da maioria das pessoas que tem receio em sair sozinha, é como isso vai ser visto pelas outras pessoas. Parece um absurdo falar isso em voz alta em 2017, mas se voce nunca saiu sozinha, se pregunta porque (“nunca precisei” não é resposta). Não sei de voce mas eu, quando olho alguém sozinha num restaurante sabado a noite, num bar ou balada ou teatro, penso exatamente o contrário de “ah que dó”. A questão é que eventualmente voce percebe que a vida nem sempre requer um grupo de pessoas do seu lado. Um desconforto temporário é um mal necessário para dar aquela pisada pra fora da zona de conforto, so own it!

Socializando, ou não – Nem sempre sair sozinha significa querer conhecer pessoas. Digo isso por experiencia – esse ano estive em Miami com minha mãe e irmã, grávida, e sair sozinha foi uma atitude inerente a situação. Mas eu não queria conhecer ninguém, só queria passear a pé, fazer o delicioso bar hopping que sugeri nesse post aqui e tomar uns bons drinks feito por uns bons mixologistas da cidade. Por isso escolhi ir de preto e de calça, já que eu queria ser de certa forma invisível, e observar mais do que falar. E também não me importei em ficar no celular. Mas se voce quer sair sozinha justamente pra conhecer pessoas, talvez queira resistir a tentação de curar seu desconforto e insegurança com olhadas compulsivas no whatsapp e instagram.

Energia – Eu diria que ter a energia certa e saber o que quer fazer é absolutamente essencial. Mas não tem problema se errar o lugar na primeira tentativa, seja porque o bar que voce gosta tanto de repente começa a tocar sertanejo sem te avisar, ou o restaurante que queria ir está fechado pra evento privado. Se o primeiro não deu, tenta o segundo ou o terceiro. Cada lugar carrega uma energia e atmosfera diferentes, e com certeza voce vai se identificar melhor com uma delas. O importante é se sentir bem e o mais confortável possível.

Bar Hopping – Acho que eu já falei mais de quatro vezes nesse blog que eu adoro um bar hopping, e recomendo pra qualquer pessoa que esteja em uma cidade diferente. Primeiro porque voce provavelmente não conhece os bares ainda, e como eu disse no paragrafo de cima, é bom ter algumas opções na manga. Segundo porque a melhor forma de conhecer qualquer lugar é sozinho, a pé e, para os mais aventureiros, sem mapas. Se voce não sabe direito por onde começar traçando uma lista de bares próximos, recomendo descobrir alguma região na cidade aonde tenham bares e comércios e escolher um como ponto de partida. Com certeza se voce digitar no google “melhor mixologista em (cidade)” voce vai encontrar alguns sites que sugerem mesmos nomes de bar, e que podem te ajudar a definir o marco zero. A partir daí voce senta no balcão (sempre o melhor lugar para nós) e com certeza o tal mixologista vai adorar te recomendar para os próximos. Se voce esta em São Paulo, Melbourne ou Miami, aqui no blog voce encontra algumas dicas.

Satisfação – Assim como se voce tivesse acordado as 6 da manha pra fazer musculação no sábado, voce vai sentir uma enorme satisfação em se dar conta que encarou uma noite completamente sozinha. O sentimento de autonomia e auto-suficiencia é similar ao de trocar o soquete da luz do banheiro ou o pneu do carro sem precisar de ajuda, seguido de um sensação de que nada é impossível, e não tem nada que voce não consiga fazer. Espero sinceramente que a experiencia seja tão interessante e empoderadora pra voce quanto costuma ser pra mim. Mas para as ocasiões em que voce prefere, de fato, sair com alguém, até porque os músicos já disseram que é impossível ser feliz sozinho e que todo mundo precisa de alguém, e músicos nunca mentem, clica aqui.

 

Gostou desse post? me conta, pra eu saber se escrevo mais.

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